A obra atende a uma antiga reivindicação dos pescadores das praias Grande e do Julião, garantindo melhores condições para o armazenamento de equipamentos e para o desenvolvimento das atividades ligadas à pesca artesanal, uma das principais expressões da cultura caiçara de Ilhabela.
O novo rancho também foi viabilizado por meio da Secretaria de Obras e Planejamento Urbano, em atendimento a uma emenda impositiva do vereador Edílson da Ilha, reforçando o compromisso conjunto com o fortalecimento das comunidades tradicionais e a valorização dos trabalhadores do mar.
Além de proporcionar mais estrutura e segurança aos pescadores, o espaço contribui para a preservação dos saberes e tradições que fazem parte da identidade cultural de Ilhabela, reconhecida por sua forte ligação com o mar e com as atividades pesqueiras.
“O fortalecimento das comunidades tradicionais é uma prioridade da nossa gestão. Este novo rancho representa respeito à história dos pescadores, valorização da cultura caiçara e melhores condições para que eles possam continuar exercendo uma atividade que faz parte da essência de Ilhabela”, destacou o prefeito Toninho Colucci.
A cerimônia de entrega será realizada na própria Praia do Julião e contará com a presença de autoridades municipais, lideranças comunitárias e representantes da comunidade pesqueira.
Homenagem a um legítimo representante da cultura caiçara
O novo equipamento recebe o nome de Antônio Gonçalves Pereira Neto, caiçara nascido em 1948, no bairro da Praia Grande, e reconhecido por sua dedicação à pesca artesanal e à preservação das tradições locais.
Filho de agricultores e pescadores, Antônio cresceu em uma família que tirava da terra e do mar o sustento de casa. Desde cedo, aprendeu os ofícios tradicionais da comunidade caiçara e fez da pesca seu modo de vida. Todas as tardes, lançava suas redes nas proximidades da ilha em frente à Praia do Julião, retornando durante a madrugada para recolhê-las, garantindo o pescado que abastecia sua família e a comunidade.
Conhecido pela generosidade, compartilhava parte da pesca com parentes e vizinhos sempre que a captura era abundante. Além da atividade pesqueira, também trabalhou na agricultura, cultivando mandioca, feijão e milho, e produzia farinha, biju e bolo de tapioca na tradicional casa de forno da família.
Ao longo da vida, exerceu ainda as profissões de pedreiro, carpinteiro e trabalhador do Porto de São Sebastião, para onde se deslocava diariamente de bicicleta junto a outros moradores da região sul. Mesmo diante da rotina intensa, nunca abandonou a pesca artesanal, mantendo viva uma prática transmitida entre gerações.
Casado com Dulcineia, foi pai de Mariana e Rogério e avô de duas netas. Seu legado permanece presente na comunidade da Prainha e entre os pescadores da região, servindo de exemplo de dedicação, simplicidade e amor pelas tradições caiçaras.
Fonte: ilhabela.sp.gov.br
